Sábado, Proteção Contra o Evolucionismo e Ateísmo

Introdução

Até o ano de 1859, quando foi publicado o livro Origem das Espécies, nenhum teólogo duvidava da interpretação de Gênesis capítulo um[1], ou seja, que Deus criou o mundo em seis dias literais e “descansou” no sétimo.
A partir de então, na medida em que os cristãos foram aderindo à teoria evolucionista e adaptando suas crenças bíblicas ao dogma darwinista, gradativamente se afastaram do relato bíblico, rejeitando subtilmente a doutrina da criação literal, e a vigência da observância do Sábado tornou–se ainda mais sem sentido para eles.

Conceitos do Mundo Cristão Atual Sobre o Relato da Criação

Em 30 de outubro de 1996, a Revista Veja publicou um artigo sob o título “Darwin no Éden”, assinado por Laurentino Gomes, no qual aparecem as seguintes declarações:
“A teoria científica mais combatida por muitos católicos nos últimos 100 anos ganhou na semana passada um aliado de peso: o papa João Paulo II. Numa mensagem à Academia de Ciências do Vaticano, o papa afirmou que a teoria da evolução e a fé em Deus são assuntos compatíveis. Exposta pela primeira vez em 1859 pelo naturalista inglês Charles Darwin, no livro Da Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural, essa teoria nunca teve o aval da Igreja porque contradiz a explicação literal da Bíblia para a criação da vida na Terra....
A Igreja há muito tempo admite que alguns textos bíblicos são narrativas alegóricas, que não devem ser tomadas ao pé da letra. É o caso do livro Gênese, que trata da criação e cuja versão atual teria sido escrita por volta do ano 1200 antes de Cristo.”[2]
Não apenas a Igreja Católica, mas grande parte do mundo Evangélico hoje rejeita a narrativa do Gênesis. A argumentação mais comum, que procura adaptar o relato da criação ao pensamento darwinista, seria que os dias da criação não foram de 24 horas, porém períodos longínquos. Dessa maneira, tronando possível uma harmonização ou conciliação do Cristianismo com a Ciência moderna.
Há alguns problemas que verificaremos nesta tomada de posição:
1. Para tais cristãos, Deus não é suficientemente poderoso para criar instantaneamente com a Sua Palavra, precisaria de tempo;
2. A teoria da Evolução, apenas um postulado, é assumida por eles como um fato científico.

Os Dias da Criação Foram Literais

Vamos demonstrar que os dias da criação foram períodos de 24 horas, utilizando–nos de algumas proposições[3]:
1. “Realmente, a idéia de que yom (dia) significa um período de tempo maior do que vinte e quatro horas não encontra comprovante nos dicionários hebraicos de renome, tais como o de Frants Buhl, Handwoerterbuch ueber das Alte Testament; o de Brown, Driver, Briggs, A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament; e Eduard Koenig, Woerterbuch zum Altem Testament. Skinner declara: “A interpretação de yom como aeon, fonte favorita para os harmonizadores de ciência e revelação, é oposta ao claro sentido da passagem e não tem justificação no uso hebraico.” – John Skinner, International Critical Commentary (Gênesis). Dillman diz: “As razões apresentadas por escritores antigos e modernos, para considerar esses dias como longos períodos de tempo, são inadequadas.” – August Dillman, Die Genesis.
2. O uso de “yom” quando acompanhado por um número definido que serve de adjetivo. – Nos manuscritos hebraicos, em cada exemplo em que yom é acompanhado por um número definido, indica um dia solar. Temos o segundo yom da festa, o terceiro yom da viagem, o sétimo yom da semana, o décimo yom do mês, etc. Aplicando este princípio aos dias da semana da criação, encontraremos um período de vinte e quatro horas.
3. A rapidez da execução. – A verdadeira enunciação da narrativa indica a brevidade do tempo envolvido. Para ilustrar, em Gênesis 1:11 a ordem dashá, quer dizer literalmente: “Que a terra faça brotar!” E o verso 12 registra a pronta resposta à ordem: a terra fez as plantas “saírem” (yatsá)... a fraseologia do registro de cada dia indica uma ação instantânea.
4. Cada dia um período de luz e de trevas. – É impossível reconciliar o fato de que cada dia da semana da criação foi dividido em parte escura e parte clara, com a idéia de que cada um desses períodos era de milhões de anos... Tarde e manhã constituíam um período de vinte e quatro horas.
5. As plantas e o período escuro. – No terceiro dia todas as espécies de plantas apareceram, as que produziam flores e sementes, bem como as formas mais simples. Evidentemente, se este “dia” fosse um período de tempo geológico, todas as plantas teriam perecido durante estes milhões de anos de escuridão, antes que a luz do quarto dia iluminasse o mundo. Portanto, este dia como os outros, foi um dia solar.
6. Dependência entre plantas e animais. – De acordo com Gênesis, capítulo um, as plantas, incluindo as fanerogâmicas, foram criadas no terceiro dia. Os animais, somente a partir do quinto dia. A dependência entre as plantas e animais é muito evidente em nosso mundo. Para ilustrar, só em matéria de polinização, multidões de plantas não se reproduziriam sem a colaboração dos insetos. Ora, as plantas com sementes se reproduziram desde o princípio. Se os dias da semana da criação fossem períodos geológicos de vinte ou quarenta milhões de anos isso não seria possível.
7. O Sábado não é um período geológico. – Em Êxodo 20:8–11 temos a enunciação do quarto mandamento:
“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.” Deus estabelece períodos de trabalho, e uma pausa para o descanso. Ordena que o homem use seis dias para trabalhar e um dia para atividades espirituais (repouso). Neste mandamento está claro a referência a dias literais.

A Importância do Sábado Para os Dias Atuais

“Foi–me mostrado que se o verdadeiro Sábado sempre tivesse sido guardado, não haveria nem um infiel ou ateu. A observância do Sábado teria preservado o mundo da idolatria.”[4]
Hoje, quando chegamos ao século vinte e um, e com o surgimento dos chamados cristãos evolucionistas, a aceitação da observância do Sábado pelos que estão enfileirados nessa nova categoria, torna–se quase impossível.
Os adventistas estão ficando cada vez mais isolados na defesa do Criacionismo autêntico, quanto na manutenção dos sólidos princípios apresentados na Palavra de Deus. Na raiz da rejeição do quarto mandamento, encontra–se um afastamento da fé, revelando um espírito contrário à disposição nutrida por homens que sempre defenderam um “Assim diz o Senhor!”





A observância do sábado une o homem e a origem de sua raça aos seis dias da Criação e ao próprio Criador. Esta é manifestamente uma ligação histórica. Aquele que observa o Sábado corretamente entende que a história daquilo que ele celebra é algo autêntico, e portanto crê na Criação do primeiro homem, na criação de uma linda habitação para o homem no espaço de seis dias, no estabelecimento original do céu e da Terra, e como um antecedente necessário para tudo isso, no Criador que ao final do último esforço criativo repousou no sétimo dia. O sábado assim se torna um sinal pelo qual os crentes na revelação histórica são distinguidos de todos aqueles que permitiram que tais lembranças se apagassem.[5]

Conclusão

Por tudo isso, podemos afirmar que a observância do Sábado tornou–se o distintivo dos que conservam na lembrança as origens de sua raça, tendo como ponto de partida o Deus Criador. Daqueles que não O reconhecem tão somente como Elohim, o Eterno Todo Poderoso, mas como JEOVÁ, o Deus transcendente, existente por Si mesmo, perene, Senhor da História, o qual revelou–Se ao homem não somente com poder, mas com amor, misericórdia e graça!


Pastor Josimir Albino do Nascimento.



















[1] Frank Lewis Marsh, Ph.D., Evolution or Special Creation? (Review and Herald Publishing Association, Washington, DC. USA), 1963, pp. 61
[2] Revista Veja, 30 de outubro de 1996, pág. 47.
[3] Baseado nas razões apresentadas por Frank Lewis Marsh, Ph.D em Estudos Sobre Criacionismo, (Casa Publicadora Brasileira, Santo André, S.P.R., São Paulo), pp. 177–181.
[4] Ellen White, Testemonies for the Church (Version 4.0 Copyright 1994, MLI Software, All rights reserved., Folio Corp. 1992–1994), vol. I pág. 76.
[5] Francis D. Nichol, Deus e Evolução (Casa Publicadora Brasileira, Av. Pereira Barreto, 42, S.P), 1974; pág. 71.

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