O Poder da Mensagem Subliminar

Você assiste a um simples e inocente desenho animado e, sem se dar conta, acaba incorporando idéias e conceitos que podem afetar sua forma de pensar sobre assuntos como sexo, política e, inclusive, religião.

Incrível demais para ser verdade? Seria possível manipular a mente de alguém dessa forma? Embora pareça coisa de ficção, é exatamente isso o que tem acontecido há alguns anos, através das mensagens subliminares.

Hoje em dia, praticamente todos os comerciais contêm algum tipo de mensagem subliminar. Mas é estranho notar que, apesar de tantas mensagens “escondidas” em produtos e propagandas, poucas pessoas compreendem como funciona esse tipo de recurso ou mesmo ignoram o assunto.

Isso é ótimo para os que o utilizam, já que essas mensagens, que podem ser visuais ou sonoras, são captadas pelo subconsciente e não pelo consciente.

A Teoria Subliminar remonta ao filósofo grego Demócrito (400 a.C.) e é descrita por Aristóteles, Montaigne, o físico brasileiro Mário Schenberg, o filósofo da linguagem Vilem Flusser e vários outros. Os efeitos dos estímulos sensoriais imperceptíveis conscientemente vinham sendo medidos pela Psicologia Experimental até que, em 1919, o Dr. Otto Poetzle (ex-discípulo de Freud) provou que as sugestões pós-hipnóticas têm o mesmo resultado prático dos estímulos subliminares para alterar o comportamento humano.

Essas pesquisas saíram da universidade para afetar os cidadãos em 1959, quando o publicitário Jim Vicary colocou um taquicoscópio (projetor de slides) no filme Picnic, estrelado por Kim Novak, projetando frases como “drink Coke” numa velocidade de 1/3000 de segundo, imperceptíveis pela consciência, aumentando assim (em 57,7%) as vendas do refrigerante. Essa experiência foi denominada Experimento Vicarysta.

Nos anos 70, a tecnologia subliminar foi adaptada à televisão em um frame (1/30 de segundo) no jogo infantil Kusher Du, obtendo ótimos resultados. A partir de então, capas de revistas, fotos de anúncios publicitários e propaganda eleitoral passaram a empregar indiscriminadamente subliminares, até serem denunciados pelo psicólogo canadense Wilson Brian Key, em uma série de livros corajosos e polêmicos, apoiados pelo criador da expressão “aldeia global”, o teórico de comunicação Marshall McLuhan, que prefaciava as obras de Key.

Hoje em dia, com as tecnologias modernas, o Experimento Vicarysta se tornou brincadeira de criança. Especialmente o campo da música demonstrou-se terreno fértil para a utilização de mensagens subliminares, já que é possível introduzir trechos nas músicas sugerindo idéias.

Os vídeos também ficaram muito avançados, permitindo a inserção de imagens sobrepostas, imagens quase ocultas, frases, tudo isso combinado com sons especialmente desenvolvidos para causar impacto em quem assiste. Nas salas de cinema, isso ocorre de maneira ainda mais eficaz, pois o som é tão alto que faz até mesmo o corpo vibrar.

“É chocante descobrir que não é paranóia ou fantasia delirante que as tais mensagens subliminares existem mesmo e são empregadas para ensinar idiomas enquanto o estudante dorme, para vender produtos e até eleger presidentes da República, e que subliminar é tema de sérias e caras pesquisas universitárias em todo o mundo”, diz o Dr. Flávio Mário de Alcântara Calazans, professor da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, de São Paulo.

Alguns exemplos

Um bom exemplo de subliminar aparece no filme Drácula, de Francis Ford Coppola. Nele há uma cena em que o vampiro, sob a forma de lobisomem, está com uma moça em um jardim. A câmera dá um close e ele fala para a jovem: “Don’t see me!” (Não me veja!), e cai um relâmpago que ilumina tudo.

Colocando a imagem quadro a quadro, no momento do raio, percebe-se que aparece o rosto do ator sem maquiagem. Antes, o ator apareceu maquiado de velho e de lobo. O subliminar prepara o inconsciente para reconhecê-lo mais tarde, nas cenas subseqüentes, como o nobre sofisticado que é.

Este é um exemplo de subliminar em obra de arte, sem o objetivo de vender produtos ou eleger corruptos. É um efeito estético como os realizado por Peter Greenaway, no filme Prospero’s Books, além de outros.

A própria Walt Disney admitiu a inserção de mensagens subliminares no desenho Bernardo e Bianca e foi obrigada a recolher 3,4 milhões de fitas de vídeo. A cena acontece aos 28 minutos do filme e é imperceptível à velocidade normal.

Os dois ratinhos usam um albatroz velho como avião. Ele perde altura e passa em frente a vários prédios. Numa das janelas há a foto de uma mulher nua. Só é possível detectar a imagem em velocidade menor do que 30 quadros por segundo.

Até mesmo o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi acusado de má utilização da propaganda subliminar durante as campanhas presidenciais. À primeira vista, o anúncio de TV da campanha do Partido Republicano sobre prescrição de remédios parece uma propaganda negativa comum.

O narrador começa elogiando a proposta do candidato do partido e criticando o plano de Al Gore, candidato democrata. Fragmentos da frase “burocratas decidem” – ridicularizando a proposta de Gore – começam então a dançar na tela. Mas observando com atenção é possível ver outra coisa.

A palavra rats (ratos), fragmento da palavra bureaucrats (burocratas) aparece rapidamente em um quadro.

E embora a imagem dure apenas 1/30 de segundo, a palavra aparece em grandes letras brancas. Quase todos os profissionais de propaganda entrevistados disseram que, pela forma como os vídeos são montados quadro a quadro, seria virtualmente impossível que os produtores não soubessem que a palavra estava aparecendo.

“Não existe a possibilidade de que Alex Castellanos tenha feito alguma coisa por acidente”, disse Greg Stevens, um veterano publicitário republicano.

O partido gastou cerca de 2,5 milhões de dólares no anúncio, que foi veiculado em 33 Estados. Ao todo, o anúncio foi ao ar cerca de 4 mil vezes, contabiliza Richard L. Berke, do The New York Times.

Mensagens na música

Há muitos que duvidam do poder subliminar utilizado também nas músicas, ignorando assim um perigo real. Em outubro de 1984, John McCollum, de 19 anos, se matou com um tiro na cabeça enquanto ouvia “Suicide Solution” (A Solução Suicida), de Ozzy Osbourne. Ele ainda estava com fones de ouvido quando o corpo foi encontrado.

Cinco meninos ingleses, de 10 anos de idade, cortaram os pulsos depois de assistirem ao clipe do cantor de rap norte-americano Eminem. A polícia de Londres descobriu que os garotos tinham assistido ao vídeo Stan, que mostra um suposto fã do cantor cometendo suicídio.

A música, que é uma parceria entre o rapper e a cantora britânica Dido, diz: “Estou deprimido. Às vezes me corto para ver o quanto sangro.”

Algum tempo atrás foi veiculado um jingle brasileiro feito para os automóveis Chevrolet, cujo ritmo melódico era em um ciclo de 72 batidas por minuto, o que provocava, subliminarmente, memórias inconscientes no ouvinte do ritmo cardíaco da mãe, persuadindo-o a amar e sentir-se protegido pelo “automóvel-mamãe”.

Este jingle fazia o consumidor regredir a um estágio psicológico infantil, chantageando-o a comprar e criando o desejo pelo carro anunciado, de modo a fazê-lo sentir-se culpado por não poder comprá-lo.

“É possível que tal fato provocasse danos psíquicos perceptíveis ao consumidor e conseqüências sociais imprevisíveis”, afirma o Dr. Flávio Calazans.

Livre-arbítrio

Para Calazans, “denunciar o subliminar, antes até mesmo de ser uma questão de cidadania, é uma questão de humanidade. Pois a liberdade de escolha e autonomia definem uma forma de vida inteligente, e a manipulação subliminar fere os valores que nos tornam dignos do nome humanos”.

“Todas as imagens com poder de penetração subliminar (com tempo de exposição em centésimos de segundos) são dotadas de conteúdos influenciadores ou de algum tipo de estímulo que provoca alterações no psiquismo, em especial a senso-percepção.

Assim, a propaganda é potencialmente capaz de influenciar condutas futuras, sobretudo em crianças e adolescentes”, é o que afirma um laudo da Polícia Civil do Distrito Federal, assinado pelos psicólogos Patrícia de Oliveira, Rita Elizabeth da Mota Britto Rocha e Álvaro Pereira da Silva Júnior.

Se esse tipo de mensagem é tão eficiente, é claro que Satanás também a usa. E não importa tanto o tipo de “ferramenta”, a intenção e os efeitos são os mesmos: levar as pessoas ao pecado e privá-las de uma das mais preciosas características humanas, o livre-arbítrio.

Além disso, é muito comum serem encontrados em filmes e músicas trechos que na maioria das vezes blasfemam de Jesus, quer sejam com imagens ou sons.

Por isso, um primeiro passo preventivo é evitar certos tipos de programas, músicas, lugares e situações em que pode haver uma brecha para a influência do mal.

É importantíssimo, por exemplo, os pais saberem o que os filhos estão assistindo na TV. Muitos não fazem a menor idéia do perigo a que seus filhos estão expostos, e de certas influências que eles jamais esquecerão.

Por isso mesmo, Jesus disse, em Lucas 11:34: “Os olhos são a candeia do corpo. Quando os seus olhos forem bons, igualmente todo o seu corpo estará cheio de luz. Mas quando forem maus, igualmente o seu corpo estará cheio de trevas.”


Autores: Camillo Augusto e Michelson Borges

Nota dos Autores:

O que são mensagens subliminares? Mensagens subliminares são aquelas enviadas dissimuladamente, ocultas, abaixo dos limites da percepção humana consciente, e que influenciam as escolhas, as atitudes e a tomada de decisões posteriores.

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