O Relacionamento da Lei Com a Graça


A Expressão Lei e os seus vários sentidos

Em primeiro lugar devemos entender o sentido da expressão lei como empregada na Bíblia. É importante frisar que esta expressão tem significados diversos, e que se usados intercambiavelmente podem gerar muitas distorções teológicas.

a) A palavra lei pode significar simplesmente o Pentateuco, ou seja, os cinco primeiros livros da Bíblia, escritos por Moisés (Lucas 24:44).

b) Pode representar o conjunto de normas dadas por Deus a Moisés no Monte Sinai (Romanos 5:13; Gálatas 3:17, 19).

c) O vocábulo também é empregado no sentido de expressão da vontade de Deus, de revelação de Seu caráter justo e santo (Romanos 3:20; 7:12; I Timóteo 1:8; Tiago 1:25).

A Bíblia ainda faz referências à lei civil, leis sanitárias, leis dietéticas, lei cerimonial e lei moral (que compreende todo o código moral de uma maneira genérica, e os Dez Mandamentos, de uma forma específica), muito embora estes termos não sejam empregados.

Os hebreus usavam com freqüência expressões de sentido dúbio, mas que podiam ser entendidas pelo contexto. Portanto, a natureza da palavra lei será compreendida pelo contexto em que aparece.

Tomemos por exemplo Colossenses 2:16, 17 “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo.”

Comidas, bebidas, dias de festa, lua nova e sábados (aqui denominados sombras das coisas vindouras, são componentes dos ritos e das ofertas do cerimonial judaico – portanto – compreendem a lei cerimonial).

Os sábados aqui referidos são as “santas convocações”, ou ocasiões especiais em datas predeterminadas, como: a Páscoa, as Primícias, o Pentecostes, o Yom Kipur (Dia da Expiação). Estas solenidades eram intituladas “sábados”, pois nesses dias nenhum trabalho servil fareis (Levítico 23:3, 7, 8, etc.), ou seja, eram feriados que podiam cair em qualquer dia da semana, mas ainda assim chamados de sábados pelo caráter solene do que se realizava neles, contudo eram de natureza diferente do Sábado semanal:

1º O Sábado semanal foi estabelecido por Deus na Criação (Gênesis 2:1-3)

2º Os sábados cerimoniais começaram a ser observados após a entrega da lei cerimonial a Moisés no Monte Sinai.

3º O próprio Deus os apresenta como sendo de caráter distinto: “Estas são as festividades indicadas do SENHOR, a qual celebrareis como períodos de santa convocação, para apresentar ao SENHOR ofertas queimadas – holocausto e ofertas de grãos, sacrifícios e libações, cada uma em seu próprio dia – separados dos sábados do SENHOR[1], e separados das vossas ofertas, e das vossas ofertas votivas, e de todas as vossas ofertas voluntárias, as quais entregais ao SENHOR.” (Levítico 23:37, 38 New Revised Standard Version [tradução livre]).

Depois de apresentar as festividades solenes e suas injunções, suas ofertas e prescrições, Moisés foi orientado a dizer ao povo que aqueles eram períodos especiais nos quais o povo deveria cessar o trabalho cotidiano e celebrar ao Senhor através daqueles sábados e suas ofertas específicas, porém eles seriam separados, de natureza diferente do Sábado semanal. Mesmo as ofertas oferecidas nesses períodos eram de natureza distinta das ofertas costumeiras.

A Tríplice Finalidade da Lei (Moral)

1ª Mostrar-nos o pecado ou convencer-nos da nossa pecaminosidade: “Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.” (Romanos 3:20)

2ª Guiar o pecador a Cristo. (Gálatas 3:24)

3ª Será a norma do juízo. (Tiago 2:12).

O Que é Graça

Nos muitos usos veterotestamentários da palavra, o significado é simplesmente “favor” sem qualquer implicação especial filosófica ou teológica. No entanto, o conceito do Novo Testamento de graça como o amor salvador de Deus para com os pecadores não está ausente do Velho Testamento, mas essa idéia foi expressa com mais exatidão pelo vocábulo hebraico chesed, amiúde traduzida como “benevolência” na versão KJV, “amor inabalável” na versão RSV (Salmo 17:7; 40:11; Isaías 63:7; Jeremias 16:5; etc.), e foi exemplificada na experiência dos santos do Velho Testamento.

Adão e Eva receberam uma promessa de salvação, a despeito de sua desobediência (Gênesis 3:15), e provisão de proteção física (v. 21).

Noé foi salvo da destruição geral do Dilúvio (Gênesis 6:8; 7:1).

Abraão foi selecionado, apesar de suas imperfeições, para manter vivo o conhecimento de Deus (Gênesis 12:1).

Moisés foi preparado para a liderança através da específica direção divina (Êxodo 3:10).

Israel foi escolhido por Deus e pacientemente nutrido através de séculos de desobediência como povo de Deus (Salmo 135:4; etc.).

Os profetas continuamente retratavam o inabalável amor de Deus ao lidar com os Seus filhos rebeldes (Sal. 92:2; Is. 45:10; Jr. 9:24; Os. 2:19; Jonas 4:2; etc.).

O Velho Testamento revela não apenas o desprazer de Deus pelo pecado, mas também Sua paciência e amor pelos pecadores e a graça provida para a sua salvação.

Porém, ficou reservado ao Novo Testamento proclamar a plenitude da graça divina, “Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (João 1:17).

O principal exponente da doutrina da salvação pela graça é Paulo. Sua tese consiste em que a salvação é o resultado não da lei, ou de livros, ou de nacionalidade, mas do favor divino livremente comunicado, e da fé humana. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2:8). Paulo retrata como uma das bênçãos do Evangelho o acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus” (Romanos 5:2).

A graça é a mão de Deus estendida em direção à terra. A fé é a mão do homem estendida para cima, a fim de segurar a mão de Deus. A dinâmica da salvação é a graça de Deus. Este decretou que Sua graça estivesse disponível a todos os homens de todas as nacionalidades e condições de vida em todos os tempos, desde que pratiquem a fé (Efésios 4:7; Tito 2:11).

SDA Bible Dictionary – Artigo, “Grace”.

Distorções da Compreensão do

Relacionamento da Lei com a Graça

1. Legalismo – Ensina que somos salvos pelas obras, ou seja, por observar a lei.

2. Antinomianismo – Ensina que se somos salvos pela graça, não importa a maneira como vivemos, nossa conduta não irá influir na salvação. Não precisamos observar nenhum preceito de lei.

3. Galicismo – Ensina que a salvação é pela graça mais as obras.

· O Legalismo é o mau uso da lei

· O Antinomianismo é o mau uso da graça

· O Galicismo é o mau uso da lei e da graça

ILUSTRAÇÃO:

Um magistrado assume uma comarca e decide dar um indulto aos presos de sua jurisdição. Todos estariam perdoados de seus crimes a partir de sua assinatura, e passariam a ser livres.

A soltura dos condenados era um ato de bondade e graça do magistrado, pois ninguém havia satisfeito as exigências da lei, cumprindo a sua pena. A contar da data da assinatura, seriam cidadãos livres, ou seja, não estariam mais sob a condenação da lei, mas sob a graça do magistrado.

Depois de assinado o alvará de soltura, alguns se reintegraram na sociedade, não cometeram mais crimes. Outros retornaram à vida do crime e voltaram para a prisão.

1. Os que obedeceram à lei continuaram sob a graça do magistrado.

2. Os que violaram a lei caíram da graça e foram condenados pela lei, sendo enviados mais uma vez para a prisão.

CONCLUSÃO

Ellen White aconselha: “Há dois perigos contra os quais os filhos de Deus devem especialmente precaver-se. O primeiro... é o de tomar em consideração as suas próprias obras confiando em qualquer coisa que possam fazer, a fim de pôr-se em harmonia com Deus. Aquele que procura tornar-se santo por suas próprias obras, guardando a lei, tenta o impossível. Tudo o que o homem possa fazer sem Cristo está poluído de egoísmo e pecado...”

O erro oposto e não menos perigoso é o de que a crença em Cristo isenta o homem da observância da lei de Deus; que, visto como só pela fé é que nos tornamos participantes da graça de Cristo, nossas obras nada têm que ver com nossa salvação” (Caminho a Cristo, pp. 59, 60).

Autor: Pastor Josimir Albino do Nascimento.



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